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De tudo e mais um pouco
 


PETER DE BRITO: EXPO 2013

PETER DE BRITO:  um banquete com eros, DIONiso E afrodite

(EXPOSIÇÃO 2013)

 

Não fora a etimologia, que aponta para a prostituição, e eu diria ser Peter de Brito um artista pornográfico, já que considero a pornografia parte integrante disto a que chamamos erotismo (em sentido lato), e tendo em conta que o termo erótico tem sido utilizado para legitimar como Arte todo um setor da produção de linguagem que utiliza as práticas sexuais, ou insinuações das mesmas, como tema. Em verdade, não me agrada estabelecer diferenças entre erotismo e pornografia – para mim, a questão é constatar maior ou menor complexidade na elaboração de obras. Peter de Brito labora num universo em que Eros (o Amor carnal) dá a tônica, o que justifica este preâmbulo.

Nesta nossa era da Internet, vislumbram-se fantásticas possibilidades de divulgação de tudo, e para o mundo todo (o que nem sempre ocorre, mas que pode chega a ocorrer), e isto vai de par com uma tremenda sem-cerimônia das pessoas, ansiosas por divulgar a própria imagem, em pelo e sem pejo, só ou acompanhadas, em ação ou paradas. Daí é que é evocada e/ou reivindicada a profecia de Andy Warhol de que no futuro todos poderiam ou teriam seus 15 minutos de fama, e a expressão 15’ se consagrou. Porém, décadas antes, em famoso ensaio, Walter Benjamin já havia dito que, via cinema (captação pela câmera), o anônimo poderia ter divulgada para o mundo todo a sua anônima imagem.

Eros, pulsão de vida, comanda as existências e a procura de sexo e, com a facilidade da e na Internet, a coisa se nos apresenta como algo estarrecedor. Porém, à demanda (estímulo) há como resposta uma grande oferta (gigantesca, mesmo), satisfazendo, portanto, por um lado, a gana de uns por aparecer e, de outro, a gana dos que procuram emoções sexuais, sem o contato físico, mas até com alguma interatividade, abrindo as portas, de um lado, para o exibicionismo e, de outro, para o voyeurismo: “deixo minha imagem, como eu bem queira, nesse mar de imagens e alguém, no mundo, haverá de fisgá-la”.

Peter de Brito que, desde antes de sua outra exposição (from gastão to the world, na Galeria Emma Thomas - uma espécie de site specific, que transformou a galeria numa loja de produtos de elegância e beleza e com a grife DD = Darcy Dias, que o também artista e crítico Ricardo Coelho considerou a melhor de quantas mostras aconteceram em São Paulo naquele ano de 2008), perseguia esse tema da fama, da celebridade e, na base da captura de imagens, fez uma espécie de garimpagem e selecionou, dentre milhares em disponibilidade, poucas dezenas + cerca de 2 mil, as quais elege como material morfo-semântico para os seus cometimentos pictóricos, fotocinéticos e escultóricos. O fotógrafo-artista já firmado (maduro), delegou a outrem a tarefa do registro, apenas se apropriando de imagens escolhidas entre miríades das pesquisadas e encontradas. A oferta, de fato, exorbita!

A exposição que Peter de Brito ora apresenta, na mesma Emma Thomas: ‘Refresh: estou ciente e quero continuar_’, em que visita sites com conteúdo erótico-pornográfico, traz 23 pinturas, 1 trabalho foto-cinético, não propriamente um vídeo, no qual, em corte-metralhadora, aparecem em pouco mais de 2 minutos mais de 1600 imagens obtidas na Internet, de pessoas exibindo-se, ao mesmo tempo em que se auto-fotografam, sem ou com trajes, no mínimo, menores, com o acompanhamento de um som em muito parecido com o da chamada Música Concreta, e 1 escultura em bronze: oroboro fálico-anal, objeto para decorar paredes. Predominam, na exposição, pinturas, sendo 21 em pequeno formato e 2 em grande formato, todas executadas a partir do estímulo “imagem captada na REDE”, com a técnica de pintura a óleo, que Peter desenvolveu num período de quase 3 anos, na tentativa de assimilar o modo - uma tecnologia com mais de cinco séculos de existência e com prática artística sistemática, e que conhecia, mas com relação à qual teve de desenvolver uma familiaridade maior, ou seja, domá-la e dominá-la para poder realizar os seus intentos plásticos – esforço grande: pesquisas, visitas a grandes mestres em museus muitos, principalmente da Itália, livros, indagações. Uma verdadeira Via-Crucis para o produtor-de-linguagem Peter de Brito. Os resultados vão além do satisfatório atingindo, enquanto facturas, o grau de excelência.

Referências-admirações: Michelangelo - com sua androfilia ou filiandria evidente, comparece desde sempre em facturas de Peter de Brito, tendo a considerar os belos trabalhos fotográficos em que há a superposição, justaposição e colagem de imagens saídas da Sistina e outras tantas, que foram aproximadas por analogia formal, numa incursão que se poderia dizer paronomástica - mais Egon Schiele, Edward Hopper, David Hockney, Andy Warhol, Philip Pearlstein, Eric Fischl, Lucien Freud, Alair Gomes, Robert Mappelthorpe, James Rosenquist, Tom of Finland – aqui, mais a temática, ali mais a técnica pictórica, acolá as duas coisas, e algo do mood da pintura metafísica, em termos de técnica pictórica e/ou temática. Trazendo o vulgar para o âmbito erudito, sem ornamentos kitschizantes, Peter de Brito faz um trabalho que se aproxima do melhor que a arte dita erótica tem produzido: das pinturas e esculturas de Pompeia (que pôde ver de perto) a Alair Gomes, passando pela xilogravura japonesa e filmes, muitos, que adentram o universo das práticas eróticas.

O Realismo pode ser detectado no trabalho de Peter de Brito, não pura e simplesmente pelo modo como opera uma espécie de mimese, avizinhando-se da fotografia, mas pelo fato de os complexos sígnicos evocarem objetos (dinâmicos) passíveis de serem existentes – como se pode dizer, evocando a semiótica peirceana. Outrossim, o processo de elaboração das imagens comporta muito de indexicalidade (própria do signo fotográfico) + a indexicalidade tetectável em toda arte figurativa (o signo intentanto conformar-se ao objeto). Daí é que, verbalizando os trabalhos apresentados, ou seja, tentando uma tradução intersemiótica (Jakoson-Julio Plaza) os quadros assim se apresentariam:

CUECAÀMOSTRAPROVIDADEMALA.CUECAFALICOESCROTALMENTEINFLADA.AUTOFELAÇÃOouCHUPANDOOPRÓRIOPAU.PEITOÀMOSTRADE FIGURAEMREPOUSO.BUNDAMODESTA.MÃONOPAUSOBACUECA.UMPÉDESALTO.MÁSCARAANTIGÁS.PINTOMURCHO.TOMANDONOCUCOMPOLVO.ARREGAÇANDOOPRÓPRIOCU.VESTINDOCAMISALISTRADA.DOCINHOBOSTOSO.VISLUMBREDAMALASOBACUECA.ESCORÇODEBUNDADEPERFILVESTIDA.MÁSCARACOELHO.BANDEIRAAOVENTO.PINTODUROVERMELHUSCO.EXIBINDOAMALA.CABEÇADECÃO.SOBASVESTESOSPEITOS.ABOBRINHAFÁLICA.PAUNOCUDOCARA

A ambiência pornô/erótica acaba por contaminar tudo, colocando, no mesmo universo, uma autofelação e um docinho. O vídeo Fresh + o objeto em bronze, paualcançandooprópriocu = oroboro, completam a cena: festa de Eros, orgia de Dioniso! O artista, espécie de Professor Pardal - ou, quem o saberá? – até um Midas, dá nomes mais sutis aos seus cometimentos artísticos: “Location Tokyo Japan”, “Age 45”, “Opened relationship” etc.

As facilidades são justamente as dificuldades de ser-se um artista plástico hoje. Peter de Brito vive uma época da Arte em que não é a excelência de um afazer o que conta, mas o conhecimento de uma grande variedade de afazeres, cuja não-especialização (profunda) é compensada pela capacidade de relacionar técnicas e métodos, mesmo que, para isto, seja necessário o socorro de técnicos-especialistas e, portanto, a delegação de tarefas a outrem. Peter de Brito sabe e faz e, quando solicita o know how de um técnico, sabe como orientá-lo para aquilo a que pretende chegar. Tem a consciência, por outro lado, de que (quase) todas as tecnologias de (quase) todas as épocas estão por aí, disponíveis - mesclando-se com o que há de mais atual – e que é só ver e utilizar o que é adequado para o quê. Peter de Brito registra anseios da Contemporaneidade. É um artista do Hoje, que se projeta para o Devir.

 

Omar Khouri março 2013 



Escrito por omarckhouri às 13h34
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ZERO À ESQUERDA: PROCESSO DE FEITURA

 

Afora a documentação que guardei do ASTER (veja o texto que escrevi sobre essa escola-de-arte em O livro das mil-e-uma coisas), a qual recebia pelo correio (eu residia, então, à Rua Dona Veridiana, 77, ap 103, Santa Cecília.São Paulo cap) ou em mãos, tenho ainda algumas fotos feitas em 1980, como a do Paulo  Miranda e Sonia Fontanezi, desfocada, tirada por mim com uma câmera rudimentar e que focaliza os serígrafos segurando o rodo segmentado, que imprimia o azul e o vermelho da bandeira francesa a um só tempo e que foi pensado pelo Paulo para seu trabalho LA VIE EN e do qual eu havia duvidado, mas a Sonia acreditado, e o Julio Plaza ficou espantado com a façanha. O rodo já não mais existe, mas que funcionou, funcionou! E deu certo o imprimir cerca de 550 cópias da bandeira (sendo 500 para que fizessem parte de ZERO À ESQUERDA), prevendo uma margem de erro (ou simplesmente cópias “não-satisfatórias”) de 10%, o que era demais. Nada escapava ao controle de qualidade de Paulo Miranda, daí o excesso. Até Omar Guedes Abigalil, grande serígrafo, professor de serigrafia de Paulo e amigo de todos nós achava um exagero reprovar um trabalho, por exemplo, que tivesse um chapado e em que aparecia uma falhazinha, um pontinho branco! Ele dizia: “Retoca com uma hidrográfica e pronto.” Mas nada adiantava. Outra foto interessante, cuja autoria não consegui, ainda, desvendar (em verdade, tenho cópias reprográficas ruins, porém legíveis) é a de uma sessão no ASTER em que imprimíamos o trabalho de Luiz Antônio de Figueiredo EXERCÍCIO CUBISTA e que viria, também a fazer parte de ZERO À ESQUERDA. Pode ter sido feita pelo Paulo, que nela não aparece ou - quem sabe? - pelo Walter Silveira (Sonia Fontanezi afirmou não ter sido ela a autora do registro). A mesa de impressão com vácuo, varal contendo cópias do trabalho que está sendo impresso – em pé, Zéluiz recebe uma cópia impressa e Carlos Valero, sentado, se prepara para me passar o papel em branco. Eu, ali, no momento, como impressor, papel que geralmente cabia a Paulo Miranda. Essa foi uma das raras vezes em que Zé e Carlos apareceram no ASTER, durante a façanha de impressão de ZERO À ESQUERDA. Era o ano de 1980 e a revista, que se recusou a ser ARTÉRIA, para que não houvesse repetição, teve o seu lançamento na discoteca Pauliceia Desvairada, em 6 de maio de 1981. A disposição de nossas cabeças forma um triângulo obtusângulo, tendente ao retângulo. Está todo mundo no auge de suas forças e disposição e… bonito, daquela beleza que é própria dos jovens, muito embrora os irmãos Valero-Figueiredo fossem mais bem apessoados que eu. Todos muito atentos no afazer enquanto são fotografados. Geralmente, eu cuidava de parte das gravações pelo processo fotográfico, retoques de matrizes, registro, preparo de tintas, controle do papel a ser impresso, limpeza das matrizes após trabalho de impressão. Mesmo depois de termos trabalhado o dia todo: eu, Paulo e também a Sonia, era uma alegria essa labuta noturna no ASTER. Havíamos sido alunos da escola: eu havia feito Litografia com Paulo Guedes, Paulo, serigrafia com Omar Guedes [serigrafia eu aprendi com Paulo Guedes, assistente de Miriam Chiaverinni e por gentileza dela, na FAAP (1979) - à época eu era professor dos meninos Ferrari:  Lorenzo, Igor e Cristiano,no Pequeno Príncipe], e mais, Paulo e Sonia fizeram um curso de Vídeo com o jovem Sandoval, que à época namorava Renata de Barros, e até chegaram, mesmo que à revelia a participar, com um vídeo, numa Bienal de São Paulo. Utilizamos com muita frequência o ASTER para os trabalhos que constariam de ZERO À ESQUERDA, sendo que para isto pagávamos o que era chamado de "ateliê livre", o que incluía até os sábados em que a assintente Cidinha ficava de plantão (a jovem deve ter sido aluna de Julio e Regina. Circunspecta, pouco falava, mas mostrou-nos um seu 'poema', que era assim: ELA BELA : BELO ELO). Eram quase sempre uma festa esses encontros gráficos e, em 1981, quando a revista foi ultimada, Walter Silveira e Tadeu Jungle realizaram um vídeo (não sei se alguém possui dele cópia) que foi mostrado no lançamento de ZERO À ESQUERDA: um verdadeiro espetáculo multimídia. A montagem dos exemplares da revista aconteceu no apartamento do Paulo Miranda, à Rua Doutor Villanova. No mesmo ano de 1981, o ASTER encerrou suas atividades. Uma pena o desfazimento do belo projeto de escola-de-arte.

PS. Hoje: 14 de fevereiro de 2012, Paulo Miranda disse-me por e-mail que o registro foi feito por ele, e que vai tentar encontrar o negativo da foto.

PS 2. 13 de abril de 2013. Noutro dia, Sonia Fontanezi fez a seguinte correção: o rodo para a impressão em duas cores foi pensado por ela e o Paulo, em verdade, abraçou a ideia, que deu certo, despertando a admiração de todos.

 



Escrito por omarckhouri às 22h37
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EM DEFESA DE 'POEMAS'

CARTA-ABERTA-DESABAFO-ESCLARECIMENTO DE SALMA BAYOUD MONAQUEU (MÃE DO MESTRE ÂNGELO MONAQUEU) EM QUE DEFENDE O FILHO-AUTOR DE INCOMPREENSÕES DE QUE FOI VÍTIMA POR OCASIÃO DA PUBLICAÇÃO DA SEGUNDA EDIÇÃO DE POEMAS: SOB A ÉGIDE DE EROS, OBRA POSSIBILITADA PELO ESFORÇO DO PROFESSOR OMAR KHOURI, UM SEU DISCÍPULO, E DA NOMUQUE EDIÇÕES. OUTROSSIM, LAMENTA O QUASE TOTAL SILÊNCIO DAS MÍDIAS - MORMENTE A IMPRESSA (OS JORNAIS) - SOBRE O REFERIDO LIVRO

 

                         Dizes - ó Fidentino - tão mal os meus versos,

Que até parecem os teus…

MARCIAL

 

Dirijo-me aos possíveis interessados em POESIA para esclarecer alguns pontos da vida-obra de meu filho Ângelo (Monaqueu) - espécie de Brás Cubas paulista-interiorano-cidadão-do-mundo - e de nossa relação familiar envolvendo seu trabalho de criação literária, do qual - diga-se - nós da família nem tínhamos conhecimento. Certa vez, pus fora toda uma gaveta de papéis do então moço, entre os quais muitos manuscritos, já que um rato havia feito no local, além de todo o estrago característico, o favor de morrer - não tive outro jeito, eu que não tolero papelada de qualquer espécie que não tenha utilidade prática ou documental, em minha casa (talvez que se tratasse de material poético, exercícios - quem o saberá?! - porém, eu não tive a curiosidade de bisbilhotar).

Essa minha atitude de agora vem a propósito de críticas canhestras que tem recebido a sua obra e pelo fato dele - Ângelo - estar desaparecido (isto mesmo: desaparecido e não finado, como alguns chegaram a insinuar). Tiro, assim, esse encargo de amigos, que até agora se têm ocupado da publicação da obra remanescente e, até então, secreta. Teria Ângelo alguma mágoa da família, família esta que não soube ver em tempo hábil o seu talento para as Letras? De minha parte, durmo tranqüila, pois amo acima de tudo o filho que tenho e que, quase sempre foi uma presença agradável, embora de afetividade comedida. Bem, este é um outro assunto.

Em primeiro lugar, devo dizer que, mesmo estando sempre e sempre ocupada com fazeres e afazeres domésticos em minha casa,  inclusive agora, que já me encontro octogenária, não deixei - jamais! - de exercer e exercitar minha inteligência e minha sensibilidade, a qual se manifesta através do canto quando justamente me ocupo das referidas tarefas. Provavelmente isto deva ter interferido na formação primeira de meu filho, afetando a sua sensibilidade e, talvez, preparando o futuro poeta (se bem que - tudo indicava, ele viria a se dedicar à arte do desenho-pintura). Devo admitir que eu, assim como minhas irmãs, ficamos surpresas com os poemas de Ângelo: embora soubéssemos da grande cultura poética que ele possuía, jamais o imaginávamos capaz de versos e de versos tão bem feitos! Tampouco cogitávamos dele ser capaz de um humor tão acentuado! A questão temática em sua obra - provocadora de críticas que chegaram a atingir a família - só tem importância à medida que recebeu o tratamento que recebeu e não por se tratar de sexo em suas várias modalidades, abrangendo regiões sobre as quais as pessoas não gostam de ouvir ou falar (só pensar e fazer). Teria, em pleno início do Terceiro Milênio dC ferido suscetibilidades? Ora, ora, me poupem! Meu filho é um escritor, um ficcionista e, certamente, coletou materiais fornecidos por outrem, os quais ele elaborou, emprestando-lhes a dignidade de obras-de-arte. Ângelo é do tempo em que se passava pimenta na boca de criança que dizia palavrões. E ele os dizia. E eu, como mãe, aplicava a tal reprimenda. E não tenho remorso por isto. Era o que era de se fazer naquele tempo e eu fazia. Hoje, até eu admito, ou melhor, permito-me dizer uma que outra vulgaridade ou até mesmo chulice. Por outro lado, com o livro Poemas, Ângelo lava a sua alma e se livra de traumas, se é que estes chegaram a existir.

Não me lembro - e consultei alguns doutos - de um livro inteiro, na língua de Camões, que alcance a contundência, ao mesmo tempo que nível de poeticidade, do conjunto dos poemas do tal livro sob a égide de Eros, como é subtitulado esse em questão (do qual não se pode prescindir de nada, sequer das orelhas!) inserindo-se no universo fescenino. Se é que isto interessa a ele, a família, eu encabeçando, tem muito orgulho de contar com um poeta como ele é, com seus temas e formas.

Em conversa que tive com uma cunhada, professora universitária como Ângelo, e com um seu colega  Túlio MensSana, brotaram comentários interessantes: 1. de como o livro se nos apresenta como uma espécie de manifesto contra a imagem, numa época de saturação da mesma, numa atitude tão parecida com a de iconoclastas (seria uma reação, em verdade, com relação à  profusão de imagens que podemos observar em Templos Católicos e  nos da Igreja Grega Ortodoxa, no seio das quais ele foi criado?) 2. Há como que uma dupla recuperação do Paganismo Antigo: a. enquanto evocação de autores e referências a peças célebres e b. enquanto exacerbação de temática de uma certa poesia grega e latina que celebra algumas das práticas do Reino de Afrodite e Eros.

E para terminar, devo revelar que ele iniciou seus estudos sistemáticos, desde o Jardim da Infância, no Grupo Escolar Olavo Bilac - teria isto algo a ver com seu destino de poeta, embora não-parnasiano? E que os primeiros contatos com a literatura foram, não com poesia propriamente (muito embora a ouvisse cantada por mim) mas com crônicas de Rachel de Queiroz. David Nasser também foi por mim lido para as crianças, Ângelo entre elas. Porém, desde muito cedo, ele passava a apreciar e impressionava-se com os desenhos e textos trabalhados graficamente de Millôr Fernandes: anos mais tarde eu conversava com meu filho sobre quão grande escritor/desenhista era o Milton, um dos maiores de quantos o Brasil já teve, em qualquer tempo, dando até orgulho de se ter nascido neste País. Porém, o que me pareceu de fundamental importância a ele, por volta de fins dos sessenta, começo dos setenta, foi a descoberta do trabalho feito pelos poetas concretistas de São Paulo o que, de qualquer maneira, teve influência em sua vida de crítico, tradutor e fazedor (= poeta).

Reitero a excelência artística da obra de meu filho e agradeço o trabalho daqueles que se empenharam em publicá-la e a atenção dos senhores que me lêem. Uma última palavra: feliz daquele que tiver o acerto de falar sobre esse livro! …

 

Atenciosamente

 Salma Bayoud Monaqueu

São Paulo, 16 de outubro de 2001. Pirajuhy, 30 de dezembro de 2001.

PS O livro, até a presente data, tem sido um fracasso na mídia, ou seja, não apareceu, apenas se insinuou: A TV Cultura de São Paulo noticiou, no METRÓPOLIS e no MUSIKAOS e o hebdomadário O ALFINETE, noticiou e publicou depoimento do Prof. Omar Khouri. Auguri!

PS 2 A  Revista G MAGAZINE trouxe sobre o livro, interessante nota (2002).

 



Escrito por omarckhouri às 18h34
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POEMAS: SOB A ÉGIDE DE EROS

Fosse eu espírita e acreditaria ter recebido, durante aqueles três meses e meio - fins de 1996, inícios de 1997 - alguns ilustres poetas já idos e tidos como representantes máximos da poesia fescenina ou um pouco menos que isto ou nada disto, tais como Mimnermo, Catulo, Marcial, Villon, Aretino, Góngora, Gregório de Mattos, Bocage - sem esquecer a onipresente Safo - assim como o magno bruxo Machado e o finíssimo portenho Jorge Luis, o Borges, prosadores-ficcionistas e o furacão-encoberto Pessoa, nas suas várias pessoas, mormente na de Álvaro de Campos; Bandeira e Oswald - brigando - se me apresentaram. Acreditasse, eu, em Platão e me menosprezasse enquanto ser-pensante e diria ter recebido os versos - sim, versos! - de uma entidade, sendo eu um mero meio através do qual ela, a divindade, viria se manifestar. Porém, sei que possuía o repertório, o qual maturou e foi-se enriquecendo durante mais de vinte anos, desde que os latinos Catulo e Marcial foram-me revelados por Luiz Antônio de Figueiredo - Bocage eu já conhecia razoavelmente e os demais - posso dizer - amigos meus conquistados em horas diversas… Foi tudo inspiração, ou seja, um momento privilegiado, de grande facilidade, em que tudo contribuiu para que a obra acontecesse. Foi o momento certo. Intuição informada; ninguém intui do nada: nada vem do nada. Deixei mais uma vez que Dr. Ângelo Monaqueu assumisse o meu trabalho.

            Em verdade, uma metalinguagem sobre poemas fictícios, uma ficção metalingüística. Os comentários sobre os poemas acabam por formar uma ficção de retalhos - chegando a ter uma certa autonomia. O tema: coisas do erotismo e da maledicência, que dizem respeito menos ao autor e mais - cerca de 95% - a experiências a ele narradas por outrem, material que passou por uma elaboração, às vezes pelo crivo de uma poética em que se observam, ainda, procedimentos, como por exemplo, o do metro regular. E o autor se mostra um exímio verse-maker, um virtuose do verso e d'outros recursos que têm caracterizado poemas nos últimos 2700 anos - pelo menos, a partir dos gregos. Aos eus líricos dos poemas, junta-se o eu do comentador que se assume enquanto pessoa: Prof. Omar Khouri.

            Para mim, pornografia e erotismo são até a mesma coisa: sexo explícito. Não quero ver o erótico como diferente do pornográfico ou o erótico como um mero eufemismo ou como sendo o lado sutil das coisas do Reino de Eros. E nem quero que o pornográfico tenha a ver com o mercadejar do corpo, muito embora isso de prostituição esteja contido na etimologia da palavra PORNOGRAFIA. Gosto de putaria total. Costumo falar em Reino de Eros (de par com Ares, o deus da guerra. Guerra aos malquistos) em que mimos e cacetadas podem conviver naquele universo em que, quem comanda é o corpo, o tesão. Você já ouviu dizer de alguém que anunciasse um livro, filme, poema, peça de sexo implícito? Para mim é só uma questão de elaboração e não propriamente de utilização de um  léxico, baixo ou não. Fenda. Aranha. Boceta. Xoxota. Vulva. Chav(b)asca. Perigosa. Onde cabe o quê? Eis a questão. O que é a peça enquanto fatura? É isto o que importa. Nunca se sabe do público que lerá o livro. Digo que é um mais-que-bom livro para muitos sexos e idades, mas principalmente para os que possuam a maturidade de depois dos 25 anos. Quem o saberá?

            O volume, juntamente com muitos outros, forma um corpus significativo dentro do universo das Letras Eróticas, sendo o conjunto, a obra do Dr. Ângelo Monaqueu. Um autor, ainda, quase desconhecido, além de desaparecido, mas que, ao que tudo indica, estará na berlinda, assim que seus trabalhos vierem a ter edições maiores e mais bem distribuídas, como a que ora apresenta a Nomuque Edições. XAIPE! São Paulo, 15 de setembro de 2001.



Escrito por omarckhouri às 18h30
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XEROX, FOTOS, POEMAS E FOTONOVELAS

Estes lances de memória me vêm motivados por comentário que meu amigo Aldo Fortes fez, há alguns anos, a propósito de um trabalho em fotonovela dos anos de 1970 que abordava uma figura num telefone-de-rua (orelhão) que dizia algo assim: vagavas tu certa vez por vias de Barcelona, quando… E seguia-se uma longa sequência de fotos em que o balão contínuo vinha em branco, para retomar no final: vagavas tu. Sim. Vagavas. Ele achava que, ao invés de cartaz, como a obra fora editada (1980), deveria ser transformada num caderninho. Para aquelas fotos feitas por mim (e Zéluiz Valero, que era fotógrafo sapientíssimo, apreciava muito o meu trabalho fotográfico, justamente naquilo que não havia de cacoetes de fotógrafo competente nele) concordara em posar meu então amigo e companheiro de jornada poética Luiz Antônio de Figueiredo. O foco na segunda-pessoa, mais a fala que não se revelava, pensava eu, dava uma certa originalidade à narrativa. Eu já fotografava há bastante tempo – desde os 60 – dado o fato de dispor de uma NIKON, que veio parar em minha casa como fruto de um negócio feito por meu pai – único, dentre os filhos, interessado em fotografar, herdei a câmera, que conservo comigo até hoje. Fotonovelas me fascinavam desde os anos 50, em revistas geralmente compradas por minhas tias e que eram emprestadas para minha mãe e que iam de Grande Hotel a Você, passando por Capricho e Sétimo céu. Muitas das histórias eram produções italianas que recebiam aqui o texto traduzido – alguma coisa era daqui e de qualidade um pouco menor, naquelas tramas amorosas que primavam pela redundância e mesmo em termos de fotografia. Passando para um repertório mais elevado, atraíam-me, já na segunda-metade dos anos de 1960, obras do universo da Pop Art, principalmente as de Roy Lichtenstein e de Andy Warhol e houve uma Bienal de São Paulo – a nona, 1967 - em que a Pop estadunidense brilhou e até cheguei a ter o catálogo da representação americana na Mostra, que também homenageava Eduard Hopper e, recentemente, adquiri o catálogo geral da 9ª Bienal (vale lembrar que, antes disso tudo, fui um contumaz leitor de gibis, quero dizer, já nos anos de 1950, e até cheguei a colecioná-los). Em inícios de 1970, estando eu em São Paulo, Paulo Miranda me levou para ver, no Ruth Escobar (Galpão) uma peça neodadá chamada PLUG e que reunia de Décio Pignatari a Rogério Duprat, e que trazia, em projeção de slides + som uma audiofotonovela: DESATINOS DO DESTINO. Vi, ali, possibilidades de desenvolvimento que só se concretizaram, de fato, para mim, a partir de 1974. Este ano marca o meu deslocamento de São Paulo, para Pirajuí, onde voltei a residir com a família e onde descobri as possibilidades da reprografia, não do xerox, propriamente, que existia e que acabou por nomear a técnica, mas de uma máquina da 3M, que utilizava um papel especial e que dava cópias pretíssimas, inclusive de chapados, o que não acontecia com as máquinas da Xerox, cujas cópias eram bem mais baratas, mas que, naquele tempo, deixavam a desejar. Em uma de minhas visitas a Dona Maud, ganhei dela uma cópia reprográfica (3M) de uma sua foto da juventude, belíssima e parece-me que ela me sugeriu que eu fizesse, dali, um trabalho. Na época eu, já maravilhado com a Poesia Concreta, que acabara de descobrir de fato, elaborava o que veio a ser o meu primeiro livro: Jogos e fazimentos, feito semi-artesanalmente e utilizando a máquina da 3M. Foram 50 exemplares + 3, financiadas as cópias pela loja de meus irmãos, mais o que rendeu de uma rifa de whisky feita por mim. Do retrato de Dona Maud, fiz o Soneto (fevereiro de 1974), que acabou integrando o livro, que trazia poucas coisas passáveis (porém, na época, eu considerei tudo muito bom). O Soneto, depois tomei conhecimento, teve antecessores no próprio universo da Poesia Concreta internacional, mas em nada parecidos com o que eu fiz e refiz. Tendo, graças a Maud Pires Arruda, que havia sido por vários anos minha professora de desenho no IEDAP de Pirajuí, descoberto a reprografia como uma possibilidade, trabalhei várias fotos e cheguei a fazer trabalhos e pequenas edições em cadernos, que se foram aprimorando no decorrer do 70. Fiz poemas e sequências de fotonovelas, utilizando fotos prontas reproduzidas em revistas com ou sem filtragem da 3M e fotos especialmente feitas por mim, como as de Marta e Romeu – uma história de morrer. Além do Soneto, no mesmo ano de 1974, fiz alguns outros trabalhos sendo que o melhor foi o constituído por uma sequencia de 8 fotos recodificadas reprograficamente, dispostas em 4 e 4 e que jogavam com imagem e palavra: a imagem uma foto feita por mim de Válter, meu irmão mais novo, aos 13 anos de idade e a palavra latina PUER (criança) – a imagem ia se desfazendo, rareando e a palavra aparecendo: começava com a imagem nítida e terminava com a palavra (escrita com um desses gabaritos de metal, que cheguei a utilizar em várias de minha pinturas de fins dos anos de 1960). Tecnicamente o trabalho ficou sofrível, pois o papel era colado numa chapa de duratex e o serviço ficou primário, mas a idéia era boa e, na época, chegou a ser elogiado por Carlos Valero, pessoa que já conhecia, mas cuja amizade acabara de conquistar. Cheguei a fazer uma versão-cartaz um pouco menor, com fotografia e letraset, porém, não tive recursos financeiros suficientes para levar adiante o projeto. Daí é que pensei e realizei a versão caderno, ainda nos anos de 1970 (1977), que me pareceu a melhor e até chegou a participar de exposição de “livro de artista” no CCSP. Esse caderno e outros tantos que fiz em reprografia com encadernação manual tiveram, no geral, uma tiragem de 22 exemplares, que eram distribuídos, contemplando exclusivamente os amigos. Aquilo era precário e belo e era para mim motivo de grande alegria.  (Numa certa ocasião - fins dos 70, inícios dos 80, não me lembro bem - recebi um telefonema do Hudinilson Jr. para participar de uma exposição arte-xerox na Pinacoteca do Estado, mas recusei dizendo que não tinha trabalhos novos e deveria ser verdade, pois andava ocupadíssimo com minhas aulas de História para crianças e adolescentes. Em verdade, não considerava artisticamente o meu trabalho em "xerox", que via pricipalmente como uma técnica viabilizadora e achava bonitos os resultados. Hudinilson é que fez trabalho artística e historicamente importante com reprografia, além de outros artistas.) Quem hoje está na casa dos 30, não faz idéia de como as coisas evoluíram de 1970 para cá em termos de artes gráficas e seus recursos – eu vivi todo o processo. Muitas coisas que estavam na ordem-do-dia, nesses últimos 40 anos se tornaram dinossáuricas. Quanta facilidade existe hoje para se fazer um livrinho! Ou até mesmo abrir mão do papel, da coisa impressa e colocar uma obra na REDE. Em tempo: Produzi poucas sequências/páginas de MARTA E ROMEU, que iam sendo publicadas em revistas e a maior delas saiu (muito mal, eu achei) no VIVA HÁ POESIA, de 1979. Possuo, ainda, algumas de minhas primeiras experiências com reprografia em uma 3M, de 1974, naquele incrível papel, que eu não mais vi. Alguma coisa foi transposta para offset e mereceu uma tiragem de 1000 exemplares. Mas o mais interessante, mesmo, é ver esses originais do início. Não insisti na marginalidade do xérox ou similar: curti outras marginalidades. E ainda curto! Nos anos de 1970 ainda desenvolvi meus quadrinhos sem texto nem imagem figurativa. Nos 90 fiz uma sequência – AMÁMONOS – que foi colocada na REDE, em SÍGNICA, revista eletrônica feita por mim e Fábio Oliveira Nunes. Alguns trabalhos já publicados, eu os refarei, com uma melhor tecnologia e com o auxílio de especialistas.

São Paulo, janeiro de 2012.

 



Escrito por omarckhouri às 18h06
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O QUE LEVA UM CRÍTICO A MALDIZER OU DIZER MAL?

Recentemente, o Estadão publicou uma página inteira no 'Caderno 2' assinada por Olívio Tavares de Araújo, a propósito da exposição dos irmãos Campana, que ora se realiza no CCBB de São Paulo. Visitei  a mostra. Não sou um apreciador dos Campana, como em quase nada aprecio Philippe Starck, que faz um espremedor de laranjas em forma de aranha-à-qual-faltam-algumas-patas! A cadeira "Vermelho", dos irmãos, chego a achar bonita, mas penso que os materiais com que é feita não favoreça a limpeza. Porém, noto nos Campana uma certa ânsia de originalidade, carente, porém, de uma visão mais consistente do que seja design (e aqui, explicito a importância que tem, ainda, a herança da Bauhaus). Mas design é o que, parece, o referido crítico desconhece ou está completamente desatualizado em termos teóricos, assim como sua visão de arte não acompanhou os acontecimentos das últimas 4 décadas. Escreve bem e argumenta como um lobatinho, embora menos virulento. Ainda bem que os Campana são mais-que-vacinados. Fiquei a pensar o como, numa época em que ninguém fala mal de ninguém, alguém chega a escrever todo um ensaio para detratar um trabalho até consagrado internacionalmente, e alguém que nunca primou por ser polemista ou por ser um crítico arrojado (muito embora seja um estudioso da obra de Volpi, com curadorias importantes, não foi O.T.. de Araújo quem descobriu o pintor, nem quem o revelou ao País). O que teria movido o crítico? Alguma questão de ordem pessoal? Bruno Munari possivelmente não viesse a amar o trabalho dos Campana, mas saberia argumentar muito melhor, ele que considerava o designer o artista da atualidade.



Escrito por omarckhouri às 03h36
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PINACOTECA DO ESTADO: ENFIM, UM MUSEU

Museus da Europa era uma publicação de luxo, em vários volumes, que Dona Maud Pires Arruda possuía e que franqueava aos alunos interessados em Arte e até permitia que se quadriculassem as reproduções policrômicas encartadas, para que se fizessem cópias – este era um procedimento tradicional em fase de aprendizado da Pintura, adotado pelas Escolas de Arte e até por autodidatas, e muitos artistas célebres acataram essa prática - entre outros tantos, dos quais me lembro agora: de Boucher, Van Gogh, Anita Malfatti (de quem a Pinacoteca do Estado possui pelo menos duas obras copiadas – Millet e Delacroix, de quando, nos anos 20, a artista, em Paris, gozava de bolsa de estudos do Governo do Estado de São Paulo). Do volume Museu do Prado, pude copiar, com grandes distorções, um quadro de Murillo (“Senhora com o Menino”), que não mais possuo. Dona Maud conservava as coisas, mas não se preocupava tanto em resguardá-las, sendo pródiga em empréstimos de material cultural. Passo dessa narrativa do episódico para o que de fato interessa, que é o meu conhecimento acerca de museus e de um em particular. Bem, mas há que se falar de um importante papel que têm os museus, além de preservar e mostrar material artístico. É o de formar, desenvolver o gosto pela arte e permitir que se expanda a sensibilidade. E o estudo de uma História da Arte só fica satisfatório com a fruição presencial de obras (que a fruição, de fato, só pode ser presencial), que são objetos únicos (perecíveis), auráticos, coisa que as reproduções não costumam ser. Tinha notícias do Museu do Ipiranga (Museu Paulista da USP) e do Museu Imperial de Petrópolis, entre os nossos, e do Louvre, Prado, Hermitage, quando para localizar a reprodução impressa de uma obra (sem contar as referências da já citada coleção de Dona Maud e das encontradas junto a obras no Lello Ilustrado, que meu pai havia adquirido). Mas, todo esse interminável preâmbulo é para adentrar o assunto ‘Pinacoteca do Estado’ (pinacoteca = onde se reúnem obras de Artes Plásticas, principalmente, mas não só Pintura). As primeiras notícias que tive da Pinacoteca do Estado, o mais antigo museu de São Paulo, foi, se não me engano, em aula de Dona Maud Pires Arruda, nos anos de 1960. Nessa mesma época, esteve em Pirajuí mostra itinerante de obras da instituição, exposição à qual compareci mil vezes, na esquina da 13 de Maio com a 9 de Julho, salão onde funcionou a concessionária dos Nardotto. É claro que não foram enviados os hits da coleção, mas havia quadros admiráveis, como estudo de Almeida Júnior para a obra “Amolação interrompida”, do qual cheguei a fazer cópia (eu, que pretendia me tornar pintor), e um lindo estudo de Rodolfo Amoedo para “Jesus em Kafarnaum”. Este, numa visita guiada por Dona Maud, foi colocado em evidência e ela disse, apontando para a resplandecência da cabeça do Cristo: “Só um verdadeiro artista consegue isto, este efeito!” Nos anos 60, ainda, estando em São Paulo em férias, visitei muitas vezes o famoso endereço – Praça da Luz 2 – em completa decadência: o prédio de autoria do escritório Ramos de Azevedo inacabado e mal-cuidado, sendo que a Pinacoteca propriamente ocupava apenas parte do prédio - o andar de cima era utilizado pela Escola de Belas Artes, uma escola particular que ali se perpetuava. (O MASP, uma das alegrias de minha vida de aficionado da Pintura, vim também a conhecer, também, nos anos 60, quando ainda se encontrava na Rua 7 de Abril, no prédio dos Diários Associados). A Pinacoteca, como que abandonada, ia de par com o Parque da Luz, que se situava ao lado, e que outrora havia sido área de lazer da aristocracia paulistana, e que conservava parte de sua antiga beleza. Na Pinacoteca de então, cheguei a ver sala onde faltava até luz, numa cidade em que a garoa diária ainda era parte integrante do clima e a fraca luz natural indireta que adentrasse por uma janela não seria suficiente para a apreciação de obras. Por milagre obras não foram subtraídas na época, o que seria possível e com a maior facilidade. O forte do museu sempre foi a arte da segunda metade do século XIX e prolongamentos, dentro do universo das Academias de Arte. Porém, os pontos mais fortes, mesmo, se encontravam nas obras de Almeida Júnior que, por meio de uma luz menos teatral, mais naturalista, entra naquele momento em que os estudiosos procuram ver uma transição, e nas de Pedro Alexandrino, o pintor das naturezas-mortas com metais reluzentes, pintor este que chegou a ser professor de uma Tarsila do Amaral iniciante em Pintura. É claro que a concepção de museu mudou muito de um tempo para cá e continua a mudar (imagino como será o museu de Oslo que abriga as obras que estiveram recentemente em mega-exposição no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera – EM NOME DOS ARTISTAS. Ainda não conheci Inhotim, nas Minas Gerais, mas imagino que seja uma outra coisa que não um museu tradicional, propriamente), sendo que tem-se dado muito relevo ao Setor Educativo, que valoriza a afluência de crianças e adolescentes, que passam a contar com a intermediação de monitores/arte-educadores. A Pinacoteca teve, também, grandes gestões, entre as quais há que se destacar as de Aracy Amaral, Fábio Magalhães e Emmanuel Araújo. Sempre digo aos meus alunos universitários que todo museu é importante, pois que traz em sua coleção objetos únicos. Um exemplo: por mais que o Hemisfério Norte conte com os melhores museus do Mundo, o apreciador da arte produzida no século XX deverá vir a São Paulo par ver obras do MAC-USP, tais como as de Boccioni (“Desenvolvimento de uma garrafa no espaço” e “Formas únicas de continuidade no espaço”), de Max Bill (“Unidade tripartida”), de Modigliani (“Autorretrato”). Museu: papel importante na formação da sensibilidade das pessoas, por isto são tão importantes. A Pinacoteca do Estado dispõe principalmente (não apenas) de obras de brasileiros e afins em seu acervo, o qual tem se diversificado, deixando a penumbra do fim do século XIX e inícios do XX se enriquecer com a produção posterior e até a atual. Sua coleção de modernistas é importante, principalmente de Brecheret. Já possui um mais-que-mportante acervo de arte brasileira de linha construtiva: de Alfredo Volpi aos concretistas Charoux, Cordeiro, Sacilotto. Seu setor de Arte-Educação é dos melhores do Brasil e a Instituição promove grandes exposições temporárias com obras que vêm de fora, contando com as mais variadas curadorias. Bem, o museu teve excelentes gestões, que mudaram a sua feição, assim como o expandiram. O prédio inacabado passou por uma grande adaptação – projeto de Paulo Mendes da Rocha – que lhe deu condições de ampliar o leque de exposições, bem porque já, há muito tempo, a Escola de Belas Artes desocupou o segundo andar e a Pinacoteca também se expandiu para o Parque da Luz e ocupou, restaurado, o prédio onde durante muito tempo funcionou o DOPS: um belo e espaçoso edifício, que retorna ao seu verdadeiro dono: o povo de São Paulo. E parece que um novo prédio contíguo será construído para abrigar a arte mais contemporânea. Ainda acho que falta muita coisa ali, como troca de algumas molduras que depõem contra as obras que cercam e a troca de algumas peças por outras artisticamente melhores. Recentemente foi reinaugurado, depois de remodelação, o segundo andar, com todo um pensamento norteando escolhas e disposições das obras. Das exposições temporárias, temos hoje (estive mais uma vez na Pinacoteca, no domingo 11 de dezembro de 2011) uma instalação (site specific, como se diz) mais-que-interessante de Olafur Eliasson (artista dinamarquês, nascido em 1967) que, entre outras áreas, ocupa o impressionante Octógono. Exposição de um pioneiro da arte construtiva na América Latina, o Uruguaio Joaquín Torres García (1874-1949) e outra do ítalo-brasileiro Eliseu D’Angelo Visconti (1866-1944). Este pode ser considerado um grande pintor, porém não genial. A presente mostra da Pinacoteca tem graves problemas de curadoria: algumas obras não deveriam constar da mostra. 30 obras das ali expostas já seriam suficientes. Há grandes trabalhos, como os de cunho erótico, que fazem parte do acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, como o famoso “Gioventù”, mas faltaram coisas preciosas que estariam no lugar daquilo que na exposição é sofrível e que não faria a grandeza de nenhum artista, principalmente quando colocado numa “transição da arte brasileira” construída (toda história é construída), imputando-lhe um papel que realmente ele não teve, apesar de afirmação em contrário da curadoria, calcada em Mário Pedrosa, ao que parece. Visconti foi um grande pintor, com sólida formação acadêmica, mas não deu o passo decisivo em época em que revoluções nas Artes se sucediam. Foi pré-rafaelita, simbolista e um impressionista tardio, de um impressionismo mal-digerido, já que a obra é a de um descrente de uma ruptura, de fato, com a Academia. Mas uma grande pintor. Nem um Belmiro de Almeida pode ser colocado como personagem de transição, malgrado algumas de suas experiências. Podemos, sim, observar sintomas de uma grande mudança, aqui e ali. Como colocou Marta Rossetti Batista, a arte moderna, no Brasil, entrou de supetão, com as incríveis obras de Anita Malfatti, realizadas entre 1915-16 nos Estados Unidos, as quais, em exposição na Paulicéia, em dezembro de 1917 - janeiro de 1918, balançaram as estruturas da arte acadêmica e apontaram para mudanças, que vieram a seguir. Portanto, a transição que muitos querem ver é uma construção mal-alicerçada. Anita coloca ao Brasil a Arte Moderna, com seus cometimentos pictóricos e gráficos internacionalistas (europeus, diga-se). As mais importantes obras de Anita não estão na Pinacoteca, que abriga o seu famoso “Tropical”, pintado em São Paulo, em 1917, assim como um desenho a carvão da fase estadunidense (1915-16). Bem, a Pinacoteca do Estado de São Paulo tornou-se um museu de verdade, enfim.

São Paulo, dezembro de 2011.

 



Escrito por omarckhouri às 11h49
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SÃOPAULOERIO

 

Higienópolis é um Leblon sem mar nem morro. O Pacaembu é uma Ipanema sem mar, com morros…  e que morros! Santa Cecília é Copacabana sem mar nem demais encantos, mas acolhe qual mãe adotiva os filhos. Mais além da São João, o Leme luz em decadência agitada. São Paulo 25, não teme São Sebastião 20. O janeiro reina, soberano. O Tietê não teme o Rio. de Janeiro. João Ramalho e os Padres antecedem o de Sá Estácio, que funda em paraíso terreste a terra que seria de Machado de Assis. Mais difícil a subida da serra e a sobrevivência na pobreza empreendera que soube esperar para comer dos frutos da abastança. É muito estranho o que têm de gradezas as duas urbes. É muito estranho.



Escrito por omarckhouri às 23h28
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DITOS BEM-E-MAL-DITOS

NOSSOS PAIS SEMPRE TÊM RAZÃO, PENA QUE NÓS SÓ FICAMOS SABENDO DISSO TRINTA ANOS DEPOIS!

E É GRAÇAS A ISTO QUE AS COISAS VÃO PARA A FRENTE…

Dr. Ângelo Monaqueu



Escrito por omarckhouri às 14h20
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A GÊNESE DE MEUS QUADRINHOS SEM FIGURAS NEM, PROPRIAMENTE, PALAVRAS

Sobre os quadrinhos: Nos anos de 1970, ainda em sua primeira metade, fui acometido de grande entusiasmo a partir dos contatos diretos que tive com a Poesia Concreta e seus criadores, também com poetas que, interessados em experimentação, reuniam-se em torno de publicações coletivas a que chamavam “revistas”. No momento em que eu recolhia material para ARTÉRIA 1 - 1974-5 (revista que fazia, então, com Paulo Miranda e a nós se juntaram os irmãos Figueiredo: Luiz Antônio, Carlos e Zéluiz), Décio Pignatari, que conhecera pessoalmente fazia pouco, deu-me o endereço de um paranaense que – disse-me ele – fazia um trabalho muito interessante de quadrinhos sem texto, não-verbais – “quadrinhos abstratos”, chegou a falar – o que me deixou intrigado. Sabia da Grande-Arte utilizando elementos das EQ (depois HQ) em Roy Lichtenstein e em derivações da Pop Art no Brasil, e dos elementos utilizados por poetas do Poema-Processo. Mas passei a imaginar coisas (eu que já estava gestando fragmentos de fotonovelas, que vim a desenvolver à mesma época – 1974-5…). Estive na porta do apartamento de Franklin Horylka, o paranaense – curitibano, se não me falha a memória – de que me havia falado DP e, parece-me, localizava-se em Santa Cecília, à Rua Frederico Abranches/Alameda Barros: toquei a campainha, mas não cheguei a ser atendido, só tendo ouvido choro de criança, de par com alguns outros barulhos, uma mulher que falava-gritando. Soube, anos depois, que FH acabou morrendo prematuramente. Somente passados os anos vi trabalhos de F. Horylka (que utilizavam imagens figurativas) reproduzidos no POLO CULTURAL-INVENTIVA, jornal-suplemento dirigido por Paulo Leminski, lá de Curitiba (um desses meus trabalhos foi lá republicado, mas não disponho de exemplar para poder precisar a data). Pensando no que seriam quadrinhos sem imagem – e até sem texto, imaginar o que seria algo que não se havia visto, mas cuja descrição parcimoniosa fez florescer – é que elaborei alguns poemas, que cheguei a publicar (não todos) até mais que uma vez. Os que considerei muito fracos (para as minhas exigências de então) eu os destruí. Na época, o que me deixou até contente foi uma rara referência – em pessoa – de Antonio Risério, que conhecia 2 ou 3 dos poemas: disse que havia dado uma entrevista a Leminski (que gostava do pouco que conhecia de meu trabalho) para a POLO, em que afirmava que, com esses trabalhos, eu havia conseguido o que os Poemas Semióticos e o Poema-Processo, não haviam. Hoje, vejo que pelo menos quatro dos seis ainda resistem. As primeiras publicações foram feitas em 1976-7-8-1980-1 e um (concebido em 1975) ficou inédito até agora. As publicações aconteceram em: ARTÉRIA, DeSignos, PORANDUBAS e EM CASO DE PERIGO, ABRA EM. Reúno, neste volume, essa parca produção de uma época de muita alegria, que foram para mim e para muitos outros, os anos ’70, sem pedir licença ao Mestre, o Dr. Ângelo Monaqueu. No ano de 1975, motivado pelas excelentes traduções de Marcial, feitas por Luiz Antônio de Figueiredo e Ênio Aloísio Fonda e instigado por LAF elaborei os seis desenhos, que depois chamei de EROTOGRAFIAS, para acompanhar os poemas, e os fiz com a intenção de “atingir” aqueles que não sabiam Latim nem Português. Publiquei as erotografias completas, além da REDE, no livro POEMAS DA MÃE, de Dr. Ângelo Monaqueu. Na EPIGRAMÁTICA MARCIAL – que é como veio a se chamar a publicação em envelope, com pranchas soltas - faltou a imagem dos seios. Da perseguição do não-verbal ao destemor do verbo… Hoje até penso ser esse meu trabalho devedor de façanhas levada a efeito no Leste Europeu (e mesmo na Europa Centro-Ocidental) durante o 1º quartel do século XX. Omar Khouri . São Paulo . julho de 2010.

 



Escrito por omarckhouri às 01h15
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OS GRAMATÓFAGOS

 Este quase-argumento para vídeo fiz a pedido de alunos de Ra e TV da FACOM-FAAP, que não chegaram a utilizá-lo. Agora, deixo-o à disposição de interessados.

 

 

 

ARGUMENTO 1

Argumento para ser transformado em roteiro para um vídeo

 

OS GRAMATÓFAGOS

2001-2

Omar Khouri

 

 

1. Sala de jantar: família com quatro pessoas (pai, mãe, filho, filha) sentadas à mesa. Mordomo adentra o recinto e serve livros. Eles lêem… Sininho! O mordono retorna trazendo um grosso volume, supostamente um dicionário. A senhora o consulta.

 

Sons - todos - de uma refeição, incluindo o ruído do sorver de uma sopa.

 

 

2. Biblioteca da casa: as mesmas pessoas se sentam junto a mesinhas que se acoplam às estantes repletas de livros. Uma bibliotecária serve uma sopa em pratos fundos. A sopa vai sendo degustada.

 

Sons de páginas de livros sendo viradas, de livros sendo amontoados e de papéis sendo rasgados.

 

 

3. Num banheiro asséptico, uma latrina reluzente: CLOSE na água de dentro. Algumas letrinhas bóiam na água límpida. Descarga, sem que apareça a mão que aciona o botão.

 

Som de ondas do mar quebrando em rochedos.

 

FIM



Escrito por omarckhouri às 01h08
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MORCEAUX DES CHAMPS: argumento para vídeo

Este quase-argumento para vídeo fiz a pedido de alunos de Ra e TV da FACOM-FAAP, que não chegaram a utilizá-lo. Agora, deixo-o à disposição de interessados.

 

ARGUMENTO 2

Argumento para ser transformado em roteiro para um vídeo

 

MORCEAUX DesChamps

1º sem. 2002

Omar Khouri

 

1. Entrevistas realizadas por um repórter com pessoas escolhidas ao acaso, em diversos lugares: do território da FAAP às circunvizinhanças - de dez a quinze - sempre a mesma pergunta:  - Você compartilha da opinião de que Marcel Duchamp foi a maior inteligência artística do século XX ou pensa, como alguns, que ele simplesmente se constituiu  numa invenção dos estadunidenses?

 

(Enquanto a pessoa entrevistada responde - não importa o quê - o som é transmitido com clareza. A imagem que aparece, porém, a cada fala, é a de um dos trabalhos de Duchamp: do Nu descendo uma escada à porta do Étant Donné, passando pelo Grande vidro e, principalmente, pelos ready-mades: Roda de bicicleta, Ar de Paris, Fresh widow, Porta-garrafas, Fonte, Why not sneeze Rrose Sélavy? etc.)

Superpõem-se sons da grande cidade sem, no entanto, ferir a inteligibilidade das falas.

 

2. Mesa em torno da qual dez pessoas se reúnem: todas gesticulando e falando ao mesmo tempo.

Sons da grande cidade inviabilizando ainda mais o caos reinante à mesa (sucata, motores, vozes da multidão).

 

3. Puro chuvisco, próprio da TV-emissora-fora-do-ar. Sem som. Daí, aparece clara e cristalina, em francês, a voz de Duchamp (supostamente):

 

D'ailleurs c'est toujours les autres qui meurent

 

 

FIM



Escrito por omarckhouri às 15h52
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MORCEAUX DES CHAMPS

WHY NOT INSPIRE R. MUTT?

 

Trabalho: Para Marcel Duchamp.2001.Foto:Peter de Brito




Escrito por omarckhouri às 09h01
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Onde é que está o faro dos caras?

 

É lamentável o que se vê em suplementos culturais de grandes jornais, hoje. Articulistas preocupados em estar na moda, apresentando “valores” que já nascem dentro de certos padrões, ou seja, sem novidades. Quando apostam em nomes – de qualquer área, mas principalmente no campo da Poesia - saia da frente, pois ali vem bomba! Defendem valores jovens porque são jovens, porém, nada sabem de poesia e tudo parece brincadeira. Chega a ser um privilégio ser esquecido por essa gente, que parece não ter lido nada, nada saber de tudo o que foi feito antes. Exemplos de poemas que aparecem a título de ilustração-comprovação da grandeza são, no mínimo, risíveis. E eles apostam nesses novos de idade e nada novos naquilo que apresentam. Hoje, qualquer criança crescida, por ser portadora de um certo bom repertório, acha que sabe fazer poesia. Lança mão de um léxico elevado, possui até um certo domínio em neologismos por derivação/aglutinação e jogam com linhas, na ilusão de que fazem versos-livres, praticam o tal “estranhamento” com a quebra de seqüências de um palavrório déjà vu. Pensam que qualquer coisa é verso-livre. O que me leva a escrever isto é uma certa irritação de que sou acometido quando vejo essas bobagens em jornais que se consideram sérios e que até chegam a publicar resenhas de livros por pessoas que não leram com atenção – ou fizeram uma leitura na diagonal – e que impressionam os incautos, dado o fato de fazerem uso de um léxico até sofisticado. Erros de julgamento da produção presente são constantes, assim como a insistência na ignorância da produção mais empenhada com a experimentação.  Não apenas os cães: críticos, colecionadores e caçadores de talentos, de qualquer área, têm de ter faro! SP madrugada de 04 de janeiro de 2010.



Escrito por omarckhouri às 18h11
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Tipografia, Tipologia? TIPOMORFIA! A forma da letra.

Tipomorfeia = a lepra da letra, o seu desmanchar-se, deteriorar-se.

O Tipógrafo/o diagramador tem consciência de linguagem e faz uso do branco da página (do muro, da tela etc), que até poderá não ser branco, como elemento de ordem estrutural. Assim pensava o Zéluiz, que não chegou a aceitar a minha sugestão de TIPOMORFIA e é bem provável que ele tivesse razão. Ou não. Penso ser Tipomorfia uma boa palavra sob o ponto de vista sonoro e que dá conta do fenômeno que pretende cobrir (boa, também, semanticamente falando).



Escrito por omarckhouri às 10h53
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